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Spares por Michael Marshall Smith

Spares

O que é a Ficção Cientifica? Eis uma questão que invariavelmente levanta polémica e das várias discussões a que assisti nenhuma das definições apresentadas me levaram a  pensar "é mesmoisto". A que mais se aproximou foi um argumento apresentado durante uma discussão acalorada no newsgroup rec.arts.sf.written: FC seria seria tudo o que ao ler-se se sentiria como ficção científica.

Ou seja, existe uma certa forma de escrever que é comum aos textos de ficção científica, e que todas as histórias que ao ler se tenha a sensação de que se tratam de um conto de FC, o serão. É definitivamente uma definição muito pouco exacta: não pode ser quantificável, não poder ser reproduzida independentemente visto ser uma noção subjectiva, e exige um conhecimento bastante alargado do género e como tal impossível de abarcar por um "não iniciado".

Mas mesmo tento tudo isto em conta, parece-me uma definição quase tão boa ou melhor que qualquer outra qualquer que tenha ouvido até agora.

Ao ler este Spares de Michael Marshall Smith não pude deixar de me recordar dessa definição.

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O momento decisivo

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Tuna, originally uploaded by Grumbler %-|.

Apesar de ser uma referencia obrigatória em qualquer guia sobre Tokyo, confesso que o mercado de Tjukiji se revelou algo aquém das expectativas.

Talvez estivesse à espera de algo mais próximo de outros mercados em que tinha estado. Ou talvez fosse à procura de uma imponência ou de uma grandeza, sabendo de antemão que era um dos maiores mercados do mundo. Ou o cansaço da viagem (afinal de contas tinha chegado na noite anterior) fosse maior que o pensado.

Não experimentei o tão afamado sushi do Daiwa Sushi (a fila à porta às 6 da manhã era maior que a minha paciência estava disposta a enfrentar), não cheguei a tempo de ver o leilão do atúm, e o mercado em geral não se revelou muito inspirador em termos fotográficos.

Mas ao regressar a casa e ao organizar as centenas de fotos registadas durante a viagem (definitivamente tenho que começar a ser mais disciplinado) deparo-me com esta fotografia. Não é a excelência técnica é certo, mas fascina-me o momento que regista, tão preciso quase como se tivesse sido planeado. São fotos como esta que me fazem pensar que nem sou assim tão mau fotógrafo.

   

Golpe a golpe

Le CouperetÉ muito fácil classificar o novo filme de Costa Gravas, "Golpe a Golpe", como a história de um homem que enlouqueceu por ter perdido o seu emprego de 16 anos e resolve eliminar aqueles que encara como concorrentes.

No entanto, Bruno Danvert sofre não de uma loucura mas sim de uma racionalidade muito própria. Ele não considera as pessoas que elimina "preventivamente" como seus inimigos. Inimigos são sim os accionistas que pretendem engordar os seus lucros e os gestores que reduzem e deslocalizam as empresas. Quem Bruno Danvert resolve eliminar são os seus concorrentes, aqueles que poderão impedí-lo de voltar a ter um trabalho, de se sentir uma pessoa completa, pois se o trabalho não é tudo na vida, como ter o resto da vida sem trabalho? É isto mesmo que ele responde quando o conselheiro matrimonial a que o casal Danvert recorre para tentar salvar o casamento lhe diz que "que o trabalho não é tudo na vida".

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Do terrorismo e suas (in)definições

Muito se fala sobre terrorismo, na necessidade de condenar os actos terroristas, que é necessário uma guerra contra o terrorismo, que o mesmo é uma criação da esquerda (como o senhor Ribeiro e Castro regorgitou há algum tempo atrás), etc.

Mas até que ponto o conceito de terrorismo é utilizado para desumanizar e demonizar o adversário e as suas acções? E até que ponto o conceito de terrorismo é algo de claro e conciso? 

Ou até que ponto interessa a algumas partes que o mesmo conceito seja difuso exactamente para se moldar às situações que interessa apelidar de "terroristas"?

Talvez seja então imprescindivel encontrar uma definição que se considere clara e vélida antes de se discutir o mesmo.

 

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Fugir ao cliché sem lhe escapar

Subir à Eira do Serrado. O Curral das Freiras a esprairar-se pelo vale lá embaixo, o rio sinuoso a conduzir o nosso olhar e a levar-nos mais além. Um cliché, ponto quase obrigatório numa visita à Madeira. Turistico, batido, mas mesmo assim revela-se impossível não ficar tocados por tudo aquilo que abarca o nosso olhar.

Entre o fascinio e a cativação, torna-se  inelutável a vontade de a capturar num registo fotográfico. Claro que sabemos que tantos outros o tentaram fazer por inúmeras vezes. Claro que sabemos que não iremos fazer nada de inovador nem de fabuloso, que estaremos sempre a repetir o que milhentos de outros já fizeram. Ou que está muito para além das nossas parcas qualidades de fotógrago tentar capturar o que sentimos, as emoções que nos afloram quase de meninos, de uma vista que nos preenche e nos deixa sem fôlego.

Mesmo assim é impossível não tentar. Torna-se demasiado forte, uma vontade de tentar algo de novo mesmo que não o seja.

E eis que se aloja uma ideia. E se o foco não fosse esta paisagem mas sim quem a ela se desloca? Quase de certeza que outros tentaram, mas porque não? Também será um outro olhar, uma outra forma de ver aquilo que já vimos. E não será também a fotografia uma forma de olhar de outra maneira as mesmas coisas que já vimos inumeras vezes?

E assim se tenta, mesmo que se falhe.

   

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